Ok, esse é mais um blog escrito por uma grávida na tentativa de minimizar os efeitos da ansiedade intrínsecos à condição sem recorrer à medicamentos ansiolíticos, obviamente contra-indicados durante a gravidez e lactação.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Eu entendo muito pouco sobre essa contagem de semanas de gestação. Porque, segundo a obstetra e a ultra-som, eu estou entrando na décima-sexta semana, o que significa quatro meses, o que implica em ter engravidado no fim de fevereiro, o que não é verdade. Eu menstruei no dia primeiro de março direitinho e provavelmente engravidei duas semanas depois, num vacilo muito do grande, diga-se de passagem - lembro até o dia =P

Isso me confunde porque eu faço, segundo a médica, quarenta semanas no dia seis de dezembro e isso me preocupa quanto à data provável do parto, porque eu quero muito ter meu parto normal, com o menor número de intervenções possível e se a contagem da médica passar de 41 semanas, eu tenho certeza que ela vai querer passar o bisturi no meu buchinho que eu tô ligada. Anotei essa dúvida na minha agenda, por sinal. Senão esqueço de perguntar à ela... pior é que as pessoas dizem que eu não deveria me preocupar com isso, que ela não faria uma cesária antes da hora, mas faria sim, tenho certeza. Por tudo que eu tenho lido, esse tipo de procedimento é muito comum, inclusive. Ainda mais depois que conversei com uma gestante na sala de espera do consultório e a moça, aos sete meses, já estava com a cesária agendada e isso me deu arrepios =/

E esse negócio de tipos de parto gera uma controvérsia enorme porque muitas pessoas olham pra mim com cara de espanto quando eu digo que quero um parto normal. como se o processo natural de parir fosse uma coisa animalesca e (pasmem!) arriscada pro bebê, quando na verdade, segundo os artigos científicos publicados nos últimos anos nas melhores revistas científicas da área, apontam que os riscos da cesárea, tanto pro bebê quanto para a parturiente são enormes, bem maiores, obviamente, que durante o parto normal - se é que alguém duvidava disso. Inclusive, as pesquisas mais recentes mostram que os hormônios liberados no parto normal, facilitam a amamentação. Se eu fosse pensar unicamente no meu conforto, ainda teria dúvidas e talvez optasse pela comodidade de uma cesárea eletiva, mesmo tendo um pós-operatório mais difícil, mas o fato é que eu não consigo pensar em mim primeiro. E eu farei o que será melhor pra ela. Não que a cesárea seja ruim, a cesárea bem indicada salva vidas, ainda bem que podemos contar com ela. Só não marcaria uma cesárea sem indicação clínica, assim como não faria uma apendicectomia sem ter uma apendice aguda, se é que dá pra entender a analogia.

Tô falando demais hoje, e olhe que é porque a cabeça tá pipocando de dor =/

1 comentários:

Nina disse...

Beta, esse é, sem dúvida, um tema muito polêmico. O que é de se espantar! Porque como bem disseste o parto normal é o que é de mais natural para o corpo. Mas para o ser humano se tornou algo animalesco, que se deve evitar. Outro ponto importante a considerar é que a medicina ou, melhor dizendo, a saúde, se tornou um grande negócio mercadológico. Tu sabes quanto ganha o hospital e o médico ao realizar um parto cesáreo??? eu não sei quanto exatamente, mas sei que é muito dinheiro. Em um parto normal??? quase nada. É a lógica do mercado, minha nêga!

Tu sabes que Chico nasceu de parto normal, né. Mas, igual que tu, eu também me senti nadando contra a maré. A começar por minha médica. Ela me dizia: "Eu vou só lhe dizer uma coisa, a dor do parto normal se compara a dor de uma falange sendo cortada pouco a pouco, sem anestesia...". Tu acreditas que a bicha me dizia isso? Pois dizia. Minhas amigas ficavam impressionadas quando sabiam que eu queria parto normal. "Tu és doida, Nina...". Foi o que eu mais escutei delas. Sem falar que ninguém aceitou quando eu disse que queria ter o parto em casa. Isso já era uma doidice quase clinicamente provada!!!

Enfim, eu, Felipe e Chico estávamos sozinhos nessa travessia. Com excessão de alguns, claro, que nos apoiavam. Mas o importante foi que tudo deu certo. Chico nasceu como deveria nascer: de parto normal. Espanto: fui a única mulher do hospital que havia tido filho de parto normal no dia e nos últimos meses. Diga aí! Meu pos-cirúrgico? Nem parecia que tinha tido menino, Beta. Duas horas depois tomei banho sozinha, estava conversando com todos feito uma tagarela, sem dor, sem náuseas e, o melhor de tudo, com Chico no braço na maior tranquilidade. No outro dia, já estava passando umas roupinhas dele que ainda estavam amassadas... Andando com ele pra cima e pra baixo. O leite, quando desceu (porque isso é outro assunto polêmico, mas que fica pra próxima), veio que parecia que eu era uma vaca leitera.

Enfim, Beta. O importante de tudo isso é que tu, Ulisses e Marina botem na cabeça que o parto será normal. Tenta te desfazeres desses medos. Acho que eles não te ajudarão muito não, neguinha. Somatiza que o parto será normal, de hoje até o dia do parto pensa nisso. Tudo tá na cabeça da gente, nêga! E se tiver que ser cesárea, que seja. Mas a probabilidade é sempre infinitamente maior de ser normal. Minha vó teve 7 filhos, todos de parto normal. Isso nos quer dizer alguma coisa, tu não acha não?!

Beijo pros três.