das expectativas e frustrações - pelo direito de parir
Engraçado como nossas prioridades são diferentes dependendo do momento que vivemos nossas vidas. Eu nunca sonhei casar na Igreja, nem ser mãe... se acontecesse, tudo bem. Se não acontecesse, paciência, existe vida além dessas mulherzices. Pois bem, casei. Mas não com Igreja ou festão, não tive saco pra nada que as pessoas esperavam. Não fazia questão, não achava que valia a pena, não tinha paciência com os preparativos, os preços me pareciam absurdos. Casei no civil, fiz um jantar para a família e alguns amigos e pronto, não tenho nenhum nó nem arrependimento quanto a falta de glamour do meu casamento.
Pois bem, engravidei. Passado o susto inicial, comecei a saborear a maternidade devagarzinho. Passava horas a fio na internet durante todos esses meses pesquisando, estudando, me informando. Acho que, inconscientemente, queria ser a mãe perfeita e pra isso precisava me munir de informações sérias e me preparar bastante, e assim o fiz. Eu até me preocupo com isso porque idealizei tudo que se refere à Marina: do quartinho mais lindo do mundo ao parto. O quartinho ficou uma fofura, não consigo parar de olhar as coisinhas todas, que eu escolhi a dedo uma a uma, dos tecidos e cores aos móveis. Além de um cantinho aconchegante e tranquilo, eu queria dar a ela a melhor recepção possível, o nascimento é um momento único em nossas vidas e por mais que ela não vá lembrar dele, acredito que é um acontecimento que deixa marcas profundas em nosso inconsciente. Não aceitava marcar data para o nascimento dela, não conseguia admitir que ela seria provavelmente arrancada do meu útero no horário mais conveniente para o médico ou para mim sem que isso fosse realmente necessário. E esse sentimento me fez buscar mais e mais informações sobre o parto normal. Eu tinha pavor de parto normal, aquela imagem das novelas da Globo eram muito claras e apavorantes. Li, pesquisei, me informei, conheci o Ishtar e descobri que as coisas não deveriam acontecer necessariamente daquele jeito. Descobri que o parto normal poderia ser mais humano e seguro, descobri que em Recife temos uma das equipes mais competentes do país assistindo às mulheres que não queriam ter seus partos decididos por conveniência de outra pessoa que não fosse o bebê. Percebi que tinha em mim um desejo muito forte de parir, de passar pelo processo de parto, coisa que nunca imaginei que sentiria. Fui atrás disso... sofri, sabe? Sofri porque dependo de plano de saúde e me foi extremamente frustrante sentir que meu desejo de ter um parto normal não era estimulado pelos profissionais. Me frustrava em ver que as grávidas em idade gestacional mais avançada que estavam comigo na sala de espera já tinham suas cirurgias marcadinhas, me frustrava ouvir que poderia não haver vaga nos hospitais desejados por ser um parto sem planejamento, me frustrava ouvir que no serviço particular faz-se mais cesárea por ser mais seguro quando os estudos científicos dizem o contrário, quando a OMS recomenda o contrário, quando nos países de primeiro mundo faz-se o contrário. A uma certa altura cansei e decidi parar de me angustiar e procurar profissionais reconhecidamente favoráveis ao parto normal, independente do problema do convênio. Ou escolheria isso ou teria que me fazer de doida, negar tudo o que acreditava e aceitar que no fim da linha, o médico provavelmente tiraria da manga uma causa pra cesárea de urgência, como acontece com tantas mães. E quantos bebês nascem prematuramente graças a cesáreas eletivas, sem desenvolvimento pulmonar suficiente sendo necessário algumas horas ou dias na UTI neonatal, como aconteceu com minha sobrinha, sendo inclusive este fato confirmado pela neonatologista que a assistiu durante o parto e primeiro mês de vida?
Optei pelo que minha consciencia e meu coração diziam e estou bem mais tranquila. As coisas podem tomar outro rumo e eu acabar tendo que fazer uma cesárea? Podem, claro. Aliás, é para isso que as cesáreas servem, não é verdade?
Nina, seja bem vinda, bonitinha... aqui não tem cerimônia, pode vir quando der vontade =)
Ok, esse é mais um blog escrito por uma grávida na tentativa de minimizar os efeitos da ansiedade intrínsecos à condição sem recorrer à medicamentos ansiolíticos, obviamente contra-indicados durante a gravidez e lactação.
domingo, 12 de outubro de 2008
Postado por ... às 00:51
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3 comentários:
Lindo Post Binha...
Binha, pra variar amei o q vc escreveu. Concordo plenamente com tudo isso e apesar de ainda nao ser mãe (desejo q ainda tenho muito forte), é triste perceber como as pessoas estão tão viciadas em cesarianas, é triste perceber que suas amigas tão (que possuem o mesmo nível cultural q vc tem), na verdade não entendem ou preferem não entender a beleza de um parto normal por simples conveniência. Com esse seu relato, passo a te admirar mais ainda e percebo a mulher madura que se tornou. Parabens por ser quem vc é, e Marina com certeza vai ter a oportunidade de crescer do lado de uma mulher forte, determinada e madura. Uma verdadeira mãe!!! Beijos...
Lindinhas =*
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