Ok, esse é mais um blog escrito por uma grávida na tentativa de minimizar os efeitos da ansiedade intrínsecos à condição sem recorrer à medicamentos ansiolíticos, obviamente contra-indicados durante a gravidez e lactação.

domingo, 27 de julho de 2008

Eu entrei no site da maternidade do Hospital Santa Joana pra ver um bebezinho que nasceu ontem, e acabei olhando vários outros bebês. Não olhei todos, mesmo porque é daqueles sites de interface burra e daria um trabalhão ver todos os nenéns, mas olhei vários bebês, aleatoriamente e fiquei impressionada com uma coisa: NENHUM deles nasceu de parto normal. Ninguém mais nasce de parto normal nessa cidade, como pode?

As pessoas preferem perder um litro de sangue ao invés de metade disso, as pessoas preferem correr risco de infecção hospitalar, as pessoas preferem que seus bebês tenham mais probabilidade de ter problemas respiratórios, as pessoas preferem ter mais dificuldade pra amamentar... pra não sentir dor (e já inventaram a anestesia peridural há muito tempo)? Pra não serem pegas de surpresa? Ou seria pra não colocarem seus bebês em risco (pré-natal e monitorização durante o trabalho de parto, alou?)? Eu fico passada com essas coisas, porque segundo a OMS, a taxa ideal de cesárea é 15%. Ou seja, eles estimam que em 15% dos casos, o parto normal não pode ser feito por alguma razão e lança-se mão da cesárea, uma cirurgia com riscos maiores e conhecidos pelos médicos, porém que salva vidas nesses casos. Mas essa passeadinha no site da maternidade me mostrou que o parto normal virou excessão. E eu acho isso uma maluquice.

Eu tô me preparando pra ter Marina via parto normal, o que não exclui a possibilidade de ser necessário uma cesárea, obviamente. Mas eu não pretendo marcar meu parto com antecedência como, aparentemente, a maioria das pessoas tem feito. Eu acho isso uma falta de informação tremenda, porque os estudos estão aí, publicados, divulgados e discutidos, só não vê quer não quer. As pessoas se pegam em histórias como a da vizinha da amiga da tia que teve um bebê deficiente porque insistiu no parto normal, sem saber o que houve de fato ao invés de irem atrás das evidências científicas, dos trabalhos publicados, enfim, dos fatos.

Nesse ponto, a obstetrícia brasileira anda na contra-mão do mundo. E poderia ser pioneira e estar à frente de todos os países, porque a formação acadêmica dos médicos brasileiros é muito boa. Em alguns países, não se usa anestesia no partos normais, e aqui é uma opção da mãe. Só isso, poderia aumentar e muito nossa taxa de parto normal, mas não acontece desse jeito.

Sabe o que minha médica disse na consulta do quarto mês? No serviço particular, faz-se muito mais partos cesáreas porque corre-se menos riscos. Eu não questionei na hora porque a informação ficou martelando na minha cabeça dias, mas na próxima consulta vou questionar isso de verdade. Que riscos exatamente? O risco dela perder o domingo me esperando parir?

4 comentários:

Anônimo disse...

Binha, perfeito. Eu tomei a anestesia e foi TUDO OTIMO E MARAVILHOSO. Nao teve dor. Me conta depois o que sua medica disse.. eu acho isso tb absurdo.

Marcelo disse...

Lindo, lindo! Tô adorando cada post mãe Binha!

Unknown disse...

Aqui no Brasil, mais de 70% dos partos da rede particular são cesáreos ( o maior índice do mundo - chega quase ao dobro dos demais) e até mesmo na rede pública é alto também.
Minha amiga acabou tendo de fazer cesárea pq o médico precisou viajar! Fogo, né?
Parece que as pessoas desconhecem os riscos envolvidos e, muito menos, o quanto a recuperação é mais rápida em partos "normais". Eu acho que muito disso é culpa dos médicos, que preferem a cirurgia por ser mais cômoda.

Martha disse...

"corre-se menos riscos"?? como assim... você questionou sua médica? cuidado com ela, viu!
beijos
Ah! Infelizmente no Brasil, é preciso lutar para ter um parto natural. Boa hora pra você!